Imagem: Flickr.com/highwaytodistraction

A primeira pergunta foi "será que ela está grávida?", estávamos nós três em um mesmo ambiente e a pergunta não foi diretamente a mim...

Olhando hoje, nada foi pensado direito, não tínhamos estrutura o suficiente para sair de casa e morar juntos aos 3 meses de namoro, mas mesmo assim fomos. A conversa surgiu do nada, estávamos cansados de depender de família e isso estava afetando nosso relacionamento, era tão cedo para isso acontecer! Ele falou "vou sair de casa" e eu falei "eu vou junto" e foi isso, nem havíamos discutido gastos e essas coisas, na verdade, nem deu tempo, porque no dia seguinte (literalmente) já tínhamos uma casa. A casa era um kitnet (um só cômodo, dividido em três ambientes diferentes), em uma comunidade ao lado do shopping onde trabalhávamos, o aluguel era 400 reais, só pagávamos luz e água era por conta dos "gatos", sem pensar, nos mudamos antes do Natal. Tínhamos algumas roupas na casa e um colchão inflável e foi assim que começamos nossa vida juntos.
Quando contei para minha mãe onde iria morar, ela não quis saber de mais nada e só se preocupou com o lugar, "favela é lugar de se começar a vida, Alane?", nesse momento eu pensei em como eu ouvia ela falando que "é por baixo que começa " e foi essa a resposta que dei. Sem discordar ou concordar, ela nos ajudou com tudo e mais um pouco, nos doou móveis, ajudou a fazer a mudança, a limpar a casa e até na primeira compra do mês.
Meu padrasto tentou negociar todo tipo de coisa para que eu continuasse em casa, mas nada daquilo me importava mais, passamos a vida inteira negociando a convivência naquela casa, que nada mais era suficiente. Eu já não era eu mesma, não conseguia mais me ver morando ali, daquele jeito, naquele clima. Era tanto comodismo, que eu não conseguia ter responsabilidades e perdia metade da minha vida dormindo, comendo e no computador. Morar na favela era minha chance de sair dessa prisão no qual eu me via e viver minha vida.

Passamos por todos os tipos de dificuldades ali, de não ter água para tomar banho até não ter comida para comer, mas nunca pensávamos em voltar para as casas de nossos pais. Conseguimos viver desse jeito por seis meses, até que veio uma proposta (quase) irrecusável.

Minhas tias e avó haviam se mudado para uma cidadezinha no interior do Paraná, chamada Rolândia, é uma cidade que eu já conheço desde infância, nós geralmente passávamos as férias lá com a outra parte da família, então já conhecia mais ou menos a rotina do lugar. Mas morar? Jamais pensei nisso, é uma cidade totalmente diferente do caos de São Paulo e eu já estou acostumada com isso. A ideia de sair do lugar onde nasci e fui criada, me assustou muito no começo, era uma vida nova, pessoas novas, um lugar novo, um recomeço. Quando minha tia soube que estávamos desesperados para sair da casa onde morávamos, ela nos propôs de irmos morar lá. No começo eu recusei sem pensar duas vezes, eu já conhecia a cidade, não aguentava ficar uma semana lá, imagine morar? Mas eu parei de pensar só por mim e fui conversar com meu namorado sobre isso, era uma decisão nossa, não minha. Conversamos durante dias, avaliamos todos os pontos negativos e positivos de ambas das cidades e decidimos que recomeçar a vida lá, seria muito mais vantajoso e teríamos muito mais qualidade de vida, do que aqui.

No começo, tínhamos planejado ir só no final do ano, passar nossas férias na cidade para meu namorado conhecer e ter certeza de que era isso que ele queria, mas já estávamos tão cansados do nosso trabalho e da nossa rotina aqui, que queríamos estar longe de São Paulo, o quanto antes. Tivemos de fazer acordo para sermos mandados embora de nossos empregos, com todo nosso direito de trabalhador, ele conseguiu, infelizmente, eu não. Claro que, não podíamos nos mudar sem dinheiro e dependendo dos familiares que temos lá.

Hoje, temos uma casa, onde vamos construir nossa vida e quem sabe, nossa família.

E que assim seja.



Um beijo e até a próxima.
Imagem: flickr.com/diegoalejandrophotography

Já tentei inúmeras vezes fazer esse negócio de blog funcionar. Postei sobre todos os tipos de temas, até sobre os que eu não entendia direito (me sentia meio uma fraude por isso) e era realmente terrível postar sobre algo que você não fazia a menor ideia do que era. Passei meses decidindo se ia voltar ou não, pensei em todos os prós e contras e, para falar a verdade, não tenho a menor ideia de qual ganhou, mas, mesmo assim decidi voltar. Tomei essa decisão, por que precisava de um lugar para esvaziar os pensamentos. Um espaço meu, público, privado, tanto faz, mas um espaço onde eu pudesse escrever, colocar tudo para fora. As vezes dói guardar tudo só para você, a cabeça fica cheia e confusa, são pensamentos e sentimentos demais para uma pessoa só filtrar. Por isso eu sempre gostei de escrever, mesmo que seja pelo Twitter, mas os 140 caracteres nunca foram suficientes (meus quase 150 mil tweets que o diga), para colocar tudo para fora, parece que sempre fica algo faltando.
Desde que arrumei meu primeiro emprego e sai de casa para morar com meu namorado, minha vida tem sido digna de um filme de comedia-romântica-dramática hollywoodiano. Acho engraçado como muita coisa inesperada aconteceu, em menos de um ano. Foram dramas atrás de romances, atrás de aventuras, que achei que fosse explodir com tanta informação e eu precisava colocar tudo isso para fora, conversar com meu namorado já não bastava mais, era demais para nós dois.
Eu gosto do que aconteceu e de como aconteceu. Hoje eu me considero uma pessoa feliz e que conseguiu dar a volta por cima.

Espero que dessa vez dê certo.

Beijos e até a próxima.